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Notícias Diocese São Luis

O DÍZIMO NAS SAGRADAS ESCRITURAS


O DÍZIMO NAS SAGRADAS ESCRITURAS

 

          A nossa Diocese está retomando a reflexão e a ação pastoral do dízimo, com o desejo de fomentar e aquecer os trabalhos dos agentes de pastoral em todas as paróquias, com o desafio de situarmos, a compreensão e a prática da partilha do dízimo, dentro do âmbito da Ação Evangelizadora da Igreja.

E para melhor entendermos o significado do dízimo na vida da Igreja, precisamos ir a fonte; e a principal fundamentação do dízimo encontra-se na Sagrada Escritura. No entanto, é preciso recordar que a Revelação divina é progressiva e orientada para Cristo.

Com isso, num primeiro momento vemos na Bíblia que a decisão de contribuir partilhando com o dízimo nasce de um coração agradecido por ter encontrado o Deus da vida e experimentado a beleza de sua presença amorosa no dia a dia. Deste modo, Deus é o Senhor de tudo (Lv 25,23; Sl 24,1).

Neste sentido, no Antigo Testamento, com os Patriarcas, o dízimo é gratidão, (Gn 14,17-20, com Abrão; e Gn 28,18-22: com Jacó). Assim, ele   é   oferecido   como   reconhecimento   e gratidão   pela   dádiva   de   Deus   que   abençoa   e acompanha aquele que a Ele se confia.

Ademias, com Moisés: o dízimo se compreende com um novo sentido, agora como preceito (Lv27,30), e deste decorrem alguns elementos significativos: primeiro, sustentar os levitas pelos serviços litúrgicos, (Nm 18,21-32; Dt 12,12; 14,27); segundo, auxiliar os necessitados: estrangeiro, órfão e viúva (Dt14,28-29; 26,12-13); terceiro, tem uma dimensão pedagógica: caminho para se aprender e exercitar o temor do Senhor (Dt 14,22-23). Era anual (Dt 12,5.11; 14,22-23); ou trienal (Dt 14,28-29; 26,12-15).

Assim, com os Profetas passa a ser visto sobre outro prisma que se deve evitar o formalismo cultual. Deste modo, Amós (4,4-5) condena o culto sem o arrependimento e a conversão, e a oferta de sacrifícios e dízimos descompromissados. Os profetas, como Malaquias, releem o preceito do dízimo num sentido mais profundo a partir da fidelidade à Aliança.

Todavia, no Novo Testamento, especialmente nos Evangelhos: as menções sobre o dízimo se referem à prática da religião judaica no tempo de Jesus. Mas, Jesus opõe-se ao comportamento dos fariseus e escribas por se preocuparem em dar o dízimo da hortelã, do coentro e do cominho e, negligenciavam a justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23,23; Lc 11,42); os discípulos o “ajudavam com seus bens” (Lc 8,1-3); e tinham uma “bolsa comum” (Jo 13,29).

Nesse interim, na vivência das primeiras comunidades cristãs: o que cada um possuía era posto a serviço dos outros (At. 2,44-47). Ademais, haviam a realização de coletas para ajudar os que, na Judeia, sofriam durante a “grande fome” (At 11,29; Rm 15,26-27; 1Cor 16,1-4; 2Cor 8-9; Gl 2,10). Essas partilhas de bens assumiram e inspiraram a dimensão caritativa do dízimo. E o apóstolo Paulo ensinou que cada fiel deve dar “como dispôs em seu coração” pois “Deus ama a quem dá com alegria” (2Cor 9,7; 1Cor 6,19; 1Cor 7,22). O mais belo era que a partilha não era imposta pelos apóstolos, mas era expressão natural do amor a Cristo e aos irmãos.

Por fim, no conjunto do Novo Testamento, vemos que se torna clara a continuidade das três finalidades que o dízimo tinha na legislação mosaica: sustento dos levitas e sacerdotes, socorro aos necessitados, manifestação do temor de Deus. Entretanto, a diferença principal está na motivação de partilhar, ou seja, não é mais por força da lei, mas pela decisão livre de consciência.

                                                                                                                                       Diego Henrique