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Notícias Diocese São Luis

Mês da Bíblia


 
PALAVRA DE DEUS:
ALIMENTO ESSENCIAL PARA A VIDA DO CRISTÃO.
Dr. Jonel Benedito Ferreira de Arruda – Advogado
 
Lemos no livro do Profeta Ezequiel (Ez 3,2-3), Deus falando com o profeta: “Filho do homem, come o que tens diante de ti, come este rolo e vai falar com a casa de Israel”. E o profeta diz: “Abri a boca e ele me deu o rolo para comer. Na boca parecia-me doce como o mel”. E também no livro do Apocalipse de São João (Ap 10,9-11): “Fui, pois, ao Anjo e pedi que me entregasse o livro, Ele, então, me disse: Toma-o e devora-o; ele te amargará o estômago, mas em tua boca será doce como mel. Tomei o livro da mão do Anjo e o devorei: na boca era doce como mel, quando o engoli”. 
Os textos acima pertencem ao gênero literário bíblico chamado apocalíptico que usa de simbolismos para comunicar a mensagem religiosa. Assim, “comer o rolo (o livro)”, significa interiorizar, meditar, refletir, deixar-se inundar pela Palavra de Deus, para depois poder levá-la aos outros. Assim, a Palavra de Deus, se torna um alimento essencial, vital, e ela somente poderá ser anunciada se, antes, ela for comida, digerida, pelo anunciador, no caso, o cristão profeta. 
Celebrando o ano do Laicato, a Igreja Católica no Brasil, está convidando todos os leigos e leigas para que sejam sujeitos e protagonistas na “Igreja em Saída”, a serviço do Reino, como sal da terra e luz do mundo. Ser Igreja em Saída, conforme explica o Papa Francisco, na sua Encíclica Evangelii Gaudium (nº 198), é ser “uma Igreja pobre e para os pobres, uma Igreja que faz opção pelo pobre, Igreja que se move, que faz opção pelos últimos, que vai à periferia, que sai de si mesma, que anda pela rua, Igreja inclusiva, não excludente, não autocentrada, não narcisista, que não vive para si mesma, não é cartório, Igreja missionária, discípula missionária, hospital de campanha, campo de refugiados”.
Estamos, pois, diante de dois desafios. De um lado, a necessidade de conhecer mais a Bíblia, manuseá-la, estudá-la, rezá-la, amá-la, diariamente. Pois como nos diz a Carta aos Hebreus (4,12-13), “A palavra de Deus é viva, operante e mais cortante que qualquer espada de dois gumes, e penetrante, até ao ponto da separação entre alma e o espírito, entre as articulações e medulas, é perscrutadora dos pensamentos e das intenções dos corações; para ela não existe criatura alguma que possa ocultar-se à sua vista, mas todas as coisas são nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas”. E também São Paulo, na Segunda Epístola a Timóteo (3,16): “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para convencer, para corrigir, para formar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja bem provido e preparado para todas as obras boas”. Assim, o alimento de que dispomos é um alimento substancioso, suculento, saudável que, com toda certeza, nos manterá em plena saúde espiritual, com boas consequências para nosso comportamento de cristão.  
Por outro lado, temos o desafio da missão, do ser Igreja no mundo em que nos encontramos, no escritório, na sala de aula, na loja, no campo, no mundo da política e da economia, enfim, em todo lugar. O Concílio Vaticano II tratou da atuação dos leigos na vida da Igreja e no mundo, testemunhando Cristo além dos limites da comunidade de fé e colaborando diretamente com as atividades pastorais. Para que os fiéis leigos e leigas possam assumir sua corresponsabilidade no trabalho pastoral e testemunhem a fé cristã na vida pública, é urgente desencadear um processo integral de formação, que seja programada, sistemática e não meramente ocasional, considerando especialmente a Doutrina Social da Igreja. Assim leigos e leigas se compreenderão como sujeitos da comunhão eclesial e engajados na missão.
É preciso, pois, perceber e vencer o clericalismo em relação à atuação dos leigos nas comunidades, como, novamente, alerta o Papa Francisco: “O pároco clericaliza, o leigo lhe pede, por favor, que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo.  O fenômeno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade e de liberdade cristã em parte do laicato da América Latina.” Portanto, Leigos e leigas devem crescer na consciência de vocacionados a “ser Igreja” e precisam dispor de espaço para atuarem na comunidade assumindo sua participação na construção da comunidade de comunidades. 
Que a meditação da Palavra de Deus nos alimente, nos ajude e nos desperte!