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Notícias Diocese São Luis

Religiosidade Popular


RELIGIOSIDADE POPULAR: Lugar da Fé

 

              Em muitos momentos da nossa vida, nos deparamos com situações que nos remetem à espiritualidade, à maneira como nós vivenciamos nossa fé. E para a grande maioria do povo brasileiro, a fé nasceu nas casas das famílias, rezando com os avós, com os pais. E essa fé tem uma profundidade marcante, que leva as pessoas, ainda hoje, a uma experiência muito peculiar, com Deus, através dos santos da sua devoção.

              Conversando com a Srª Maria Elza de Oliveira Carvalho, setenta e dois anos e uma vitalidade de dar inveja, com seis filhos, sendo um do coração, seis netos e um bisneto, moradora da Cavalhada, aqui em Cáceres, descobrimos que essa fé vem sendo alimentada desde muito cedo. De família rígida e, para sair e passear como toda menina de quinze anos, resolve ir nas rezas nas casas dos parentes e ajudar nas mesmas. Aprende a rezar para São Pedro, São Benedito, São João e outros santos. Depois de casada, enfrentou o marido ciumento e continuou a rezar nas casas aonde pediam.

              A Srª Elza nos diz que “entende essas rezas como uma forma de evangelizar as famílias”, como “uma missão mesmo”. E que “enquanto Deus lhe der vida, cumprirá com os seus compromissos”, lembrando que as pessoas precisam e pedem, para ‘pagar uma promessa’ por uma graça recebida.

             Visitei uma outra rezadeira, na estrada do Lavapés, também em Cáceres. Desta vez, falei com a Srª Elza Justina Ribeiro de Oliveira, também com setenta e dois anos, que ficou viúva recentemente; tem sete filhos, “uns quinze netos e já perdi as contas de quantos bisnetos”. Quando ela tinha doze anos, sua irmã faleceu de meningite; logo após, a mesma Srª Elza contraiu a doença; sua mãe, com fé e muita esperança nos santos e em Deus, pediu que não levasse essa outra filha; preparou um chá de alho e deu para a menina beber, e esta sarou. Então disse à filha que a ensinaria a ‘tirar reza’, e “que enquanto vivesse, ela seria rezadeira!”, foi o que prometeu a Deus. E assim aconteceu. Há sessenta anos, dona Elza reza em Cáceres, Cuiabá, nas fazendas e sítios no Caramujo, na Curvelândia...onde a chamam, ela vai.

              Ela acredita que as rezas ajudam a manter viva a fé das pessoas, e que se sente feliz por ser rezadeira. Reza para todos os santos, mas especialmente para São Benedito, São Sebastião e São Lázaro, dia onze de fevereiro, inclusive alimentando os cachorros, lembrando daquele que curou as feridas do santo, lambendo-as.

             Por essas e outras razões, a fé em Deus e nos seus santos, mantém as pessoas firmes e comprometidas com a vida.

                                                                                                   Pe. Edson Luiz

                                                                                                Pascom Diocesana