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Equipe Diocese São Luíz


Pe. George Joseph P. M. Martim, SSST




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BIOGRAFIA



Nasci no dia 14 de novembro de 1928, na cidade de Petit-Mars, no oeste da França. Sendo o primeiro filho e tendo mais quatro irmãos e quatro irmãs, venho de uma família tipicamente religiosa da Bretanha. Cresci neste ambiente saudável e propício ao despertar vocacional, o que não demorou acontecer. Assim como todo jovem europeu da época, coloquei-me à disposição, como voluntário, na segunda guerra mundial nos anos de 1944 e 1945, porém contrário ao espírito da guerra reinante naquele momento. Dentre os vários grupos e da complexidade da guerra, eu compunha o grupo dos “guerrilheiros”. Esta experiência de sofrimento me confirmou no desejo de servir aos mais necessitados. Já com 21 anos de idade, fui então para o seminário da Sociedade de São Tiago para formação de filosofia e teologia na cidade de Landivisiau, na própria Bretanha.



Ordenado padre em 29 de junho de 1956, como missionário da Sociedade de São Tiago, escolhi como lema sacerdotal, as próprias palavras de Jesus: “Eu vim para servir e não para ser servido” (Mt 10, 45).



Esta experiência de servir é o que sempre tentei colocar na minha vida, desde a entrada no seminário até os dias atuais. Confesso que não foi sempre fácil, mas que também não foi impossível. Em todas as oportunidades que a vida me ofereceu, procurei ser fiel ao meu lema sacerdotal, desde as experiências nas “colônias de férias” na França, até as mais exigentes missões, às quais, servi, na África.



Em todos os casos, procurava sempre mais ouvir do que falar, ser amigo, irmão e aberto para viver no meio do povo, ouvir seus problemas, caminhar com o rebanho e sentir o “cheiro das ovelhas”. Dadas às necessidades da Igreja e o carisma da Sociedade de São Tiago, optei por fazer missões no Haiti, fato este que muito enriqueceu meu ministério e me fortaleceu na fé. Foi minha primeira experiência como padre, na Diocese de Gonaives. Juntamente com outro colega padre, servíamos ao povo de Deus na fronteira com a República Dominicana. Nosso atendimento religioso dividia-se em duas partes: quinze dias no centro e quinze dias nas montanhas, sempre revezando entre os dois missionários.



É importante acentuar que todo nosso trabalho religioso era feito a cavalo, sendo este o único meio de transporte naquelas regiões. Nossa missão era visitar o povo, preparar algumas pessoas para a liturgia e a catequese e celebrar os sacramentos da Igreja. Após 4 anos de trabalhos, fui nomeado, pelo nosso Bispo Dom Paulo, vigário da Catedral de Gonaives. Meu amigo foi nomeado em uma outra cidade da Diocese, ainda no Haiti. Na Catedral formávamos uma nova equipe, agora com quatro padres, sendo o pároco o mais experiente de todos e administrava o centro da cidade. Nós vigários atendíamos as comunidades, colégios, a zona rural, assim como as pastorais, a catequese, a liturgia e tantas outras necessidades do povo de Deus. Cada dia, pela manhã, planejávamos os trabalhos e no fim do dia partilhávamos as experiências pastorais. O ambiente era sempre de entreajuda e formidável amizade.



Em 1961, sendo que o pároco foi de férias, visitar seus familiares, fiquei como administrador paroquial e responsável por um projeto de irrigação, comum naquela região, sendo sempre ajudado pelos colegas do ministério, tanto no atendimento às comunidades quanto na orientação das pastorais e movimentos na paróquia.



Este projeto de irrigação era importante para o povo simples e pobre, criando inveja aos fazendeiros, assim como enfrentamentos e até invasões destas terras pelos poderosos destruindo as lavouras dos pobres. Os conflitos foram se avolumando a tal ponto de envolver toda a comunidade. Em uma das celebrações, em minha homilia, na qual me referi aos acontecimentos, haviam autoridades e seus vigias, estes abandonaram a celebração e, após o término, me foi anunciado que eu seria preso logo em seguida. Este fato aconteceu oito dias depois.



Juntamente comigo foram presos também os dois padres que me acompanhavam na missa. Depois foram também expulsos o Bispo da Diocese e o vigário geral. Na sequência, mais treze colegas padres foram também expulsos do Haiti. Lembro que saí do país apenas com a roupa do corpo, em um clima aproximado de quatro graus. O motivo geral da expulsão era sempre o mesmo de quem questionava o sistema estabelecido: diziam que éramos “comunistas”.



Após breve passagem pela França, aproximadamente de 8 meses, este grupo de expulsos do Haiti, escolheu como lugar de missão o Brasil. Assim sendo, embarquei na França em direção ao Brasil, aqui chegando em outubro de 1963.



Já no Brasil, fui para a Diocese de Maringá, exercendo meu ministério na cidade de São João do Caiuá. Foram meu primeiros 4 anos de experiência no Brasil, visitando o povo e lutando para aprender a língua portuguesa. Ali fiz amizade com Dom Romeu Albert, recém ordenado Bispo de Apucarana. Desta amizade nasceu minha transferência para aquela Diocese, na cidade de Borrazópolis. A experiência da Diocese, naquele momento era voltada para as diaconias, dentro do espírito das pequenas comunidades.



Esta experiência das diaconias era rica devido ao envolvimento dos leigos que se empenhavam em coordenações, catequese, liturgia, juventude e ações sociais. Cada uma destas atividades tinha seus coordenadores que apresentavam seus relatórios mensais e orientações sobre onde os padres atenderiam durante a semana e o mês. Esta experiência era também partilhada entre os coordenadores dos trabalhos, enriquecendo o processo de evangelização e compartilhando as responsabilidades na condução pastoral da paróquia. Esta metodologia de trabalho, na verdade envolvia a todos, desde as crianças até os idosos. Assim acontecia também com os projetos de viveiros, plantações, cultivo do algodão e tantas outras ações que além de evangelizar, unia a comunidade em torno de objetivos comuns. Esta experiências de até roças comunitárias, tornaram-se depois associações de relevante importância na manutenção econômica das comunidades.



Depois destes trabalhos no Paraná, aceitei entrar em um  outro projeto chamado de “Igrejas Irmãs”; comum naquele período da história. Após uma visita do Bispo de Apucarana a Cáceres, este retornou e sugeriu aos padres de Apucarana, em uma reunião do clero, que alguém se dispusesse a este novo desafio missionário na Amazônia. Imediatamente me disponibilizei. Em seguida, outubro de 1977, vim para a Diocese de São Luiz de Cáceres, onde permaneço até hoje.



Aqui chegando, fui muito bem acolhido por Dom Máximo e logo destinado à cidade de Quatro Marcos, que na época era composta de apenas algumas famílias e uma pequena capela. Na época Quatro Marcos era apenas um distrito longínquo e sem nenhum recurso. Dado às difíceis realidades econômicas locais, meu amigos de Borrasópolis me ofereceram um carro para os trabalhos pastorais. Começamos então os trabalhos tendo também em vista a construção de um salão comunitário, assim como a construção de uma casa paroquial, pois até então morara numa alugada. Em 45 dias foi construído o Centro Comunitário, sendo que em junho de 1978 foi criada a paróquia de São José dos Quatro Marcos.



Em 1980,  construímos a casa paroquial e, no ano seguinte, iniciamos a construção da Igreja. Em menos de dois anos a Igreja estava construída, dado o empenho de todos na cidade. A metodologia da época era sempre a de mutirão. Seguindo a experiência adquirida em Apucarana, iniciamos o trabalho pastoral tendo em vista as diaconias (que eram formadas de várias comunidades). O sistema era o mesmo, coordenadores das comunidades e das pastorais, sempre em sintonia com o padre, que visitava as diaconias mensalmente. Havia reuniões permanentes com os coordenadores das pastorais e outros seguimentos da paróquia.



Com o passar do tempo, as comunidades se multiplicaram, as exigências aumentaram assim como o empenho pastoral na formação das lideranças, catequistas, cursilhistas, etc.



As dificuldades para a formação de lideranças eram muitas, tais como: disponibilidade de leigos, distâncias de Cáceres e vinda de evangelizadores. Porém, com empenho e dedicação vimos avançar a evangelização a passos largos. Outro destaque da nossa região foi o empenho para organização de pequenas cooperativas para assegurar aos cooperados uma maior produtividade e lucratividade. Fizemos a experiência de viveiros,  algodão, mamão, etc. A  concentração de todos estes esforços religiosos e sociais resultou na bela cidade que hoje podemos ver e constatar.



Não posso deixar de falar da amizade e cooperação com a Diocese de Cáceres na acolhida e acompanhamentos dos seminaristas diáconos que aqui foram acolhidos e encaminhados para a vida sacerdotal. Dentre eles, Pe. Rogério, Pe. José da Silva, Pe. Marcos Antônio, Pe. Evandro e Pe. Ednaldo. Creio que esta convivência com estes diáconos e agora padres, enriqueceu o meu ministério, assim como a vida pastoral da paróquia e ainda mais a experiência pastoral destes novos presbíteros.



Após 34 anos de vida dedicada a este povo, em meados de 2011, fui surpreendido por um problema de saúde. Um módulo cancerígeno na garganta exigiu cuidados imediatos e de grande intensidade. Depois de oito meses de tratamento em São Paulo e mais de um ano de repouso no Brasil estive ainda oito meses na França em processo de recuperação. Com a graça de Deus pude retornar ao Brasil e à paróquia de Quatro Marcos, com os amigos com quem construí a maior e melhor parte da minha vida.



Quero concluir esta pequena reflexão, retomando o meu lema sacerdotal: “Eu vim para servir e não para ser servido”. Creio que esta experiência vivida por Jesus e reproduzida na minha vida muito me ajudou a compreender os mistérios que atingem o nosso dia a dia. Não somos perfeitos, porém, com a graça de Deus tudo é possível.



Agradeço a todos os amigos que caminharam e caminham comigo ainda hoje. Que Deus abençoe a todos e continuarei a rezar para que o projeto de Deus cresça e se realize segundo sua própria vontade.